"Longe é um lugar perto que se chega com paciência."
(Fábio Ibrahim El Khoury)

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Chuang Tzu e o Sonho da Borboleta




Era uma noite fresca na China antiga. Um amigo de Chuang Tzu foi procurá-lo numa estalagem local. Chegando lá, encontrou-o sentado numa mesa, bebericando seu chá com um semblante contemplativo.
– Aí está você ! – disse o amigo de Chuang Tzu. – Achei que estivesse contando a todos mais uma de suas histórias. Por quê está tão calado?
– Há uma questão em minha mente – disse Chuang Tzu. – Uma questão sobre a existência.
– Entendo. Você quer que eu lhe deixe sozinho com seus pensamentos?
– Não, gostaria de compartilhá-la com você. Talvez você possa me ajudar com sua perspectiva.
– Minha perspectiva é de pouco valor, mas ficarei contente em ouvir – ele puxou uma cadeira.
– Saí para uma caminha no final da tarde –, começou Chuang Tzu. – Fui até um de meus lugares preferidos embaixo de uma grande e frondosa árvore. Ali sentei e comecei a pensar no significado da vida. Estava tão fresco e agradável que logo relaxei e peguei no sono. Comecei então a sonhar que estava sobrevoando um belo campo florido. Olhei para trás e vi que tinha asas. Elas eram grandes e bonitas e se agitavam rapidamente. Eu havia me transformado numa borboleta! Senti uma enorme sensação de liberdade e alegria ao voar suavemente em qualquer direção que quisesse. Tudo nesse sonho parecia completamente real em todos os sentidos, tanto que, depois de um tempo, eu me esqueci por completo que um dia fora Chuang Tzu. Eu era simplesmente uma borboleta e nada mais.
– Eu tive sonhos em que voava, mas nunca como uma borboleta – o amigo respondeu. – Esse sonho me parece uma experiência maravilhosa.
– E foi, mas como todas as coisas, cedo ou tarde teve que acabar. Lentamente, acordei e percebi que eu era novamente Chuang Tzu. Isso é que me intriga.
– O que há de tão intrigante? Você teve um belo sonho, só isso.
– E se eu estiver sonhando agora? Essa conversa que estou tendo com você parece real em todos os sentidos, assim como meu sonho. Eu achei que era Chuang Tzu que tivesse sonhado ser uma borboleta. Mas, e se sou uma borboleta que, agora mesmo, está sonhando ser Chuang Tzu?
– Bem, eu posso lhe afirmar que você é realmente Chuang Tzu e não uma borboleta.
Chuang Tzu sorriu: – Você pode ser simplesmente parte do meu sonho, nem mais nem menos real do que qualquer outra coisa. Assim, não há nada que você possa fazer para me ajudar a identificar a distinção entre Chuang Tzu e a borboleta. Essa, meu amigo, é a questão essencial sobre a transformação da existência.


Primeira Lição: Unidade

Ao conectar-se com a borboleta, Chuang Tzu está dizendo que todas as coisas vivas estão unidas pela força de vida contida dentro delas. O esforço para sobreviver e prosperar em nós é o mesmo que existe em tudo, desde a maior das criaturas até o menor dos insetos. Quando reconhecemos isso, podemos começar a enxergar a nós mesmos como parte da natureza, ao invés de separados dela.
Chuang Tzu escolheu a borboleta deliberadamente para enfatizar este ponto. Em termos de aparência, uma borboleta parece tão diferente de um ser humano quanto qualquer outra coisa pode ser. Todavia, em um nível fundamental, ela é exatamente como nós – uma manifestação da vida, e, assim sendo, do Tao no mundo material.
Se nós podemos dizer isso de uma borboleta, então podemos dizer sobre tudo. Portanto, uma das verdades mais básicas do mundo é que tudo é um.


Segunda lição: A vida é como um sonho

Chuang Tzu também aponta nessa história que um sonho pode parecer tão real quanto nossa vida desperta. Todas as visões, sons, sentimentos e emoções num sonho são tão vividos e intensos quanto nossa experiência em vigília.
Essa lição é um exercício de desprendimento em duas áreas de vida: obsessões emocionais e obsessões materiais. A chave dessa lição é o percebimento de que se podemos ver como os sonhos podem parecer completamente reais, a realidade também pode ser vista como um sonho.
Nós podemos ficar emocionalmente obsessivos ao interagir com outros. Quando alguém diz algo positivo sobre nós, nos agarramos a seus elogios e aprovações; porém, quando alguma coisa negativa é dita, nos apegamos a sentimentos destrutivos de ser ofendido ou atacado.
Peguemos o lado negativo como exemplo. Suponhamos que alguém tenha lhe dito algo extremamente insultante e você ficou zangado. É seu desejo recuperar a tranqüilidade, mas sua raiva torna isso impossível. O que fazer?


Primeiro passo: lembre-se do alerta de Chuang Tzu sobre a equivalência entre o estado de sonho e a realidade. Se você experienciar o insulto num sonho, você também se sentirá magoado, ofendido e raivoso.
Segundo passo: perceba que você já tem a habilidade natural de lidar com tal situação. Se o evento ocorre num sonho, você simplesmente o coloca de lado ao acordar. É apenas um sonho, tudo está bem afinal. Todos nós já fizemos isso antes. Somos todos “experts” em lidar com sonhos ruins.
Terceiro passo: Aplique essa habilidade natural para lidar com suas emoções negativas. Embora o evento tenha realmente acontecido, sua reação emocional a ele é exatamente idêntica. Essa equivalência básica lhe dá a chave para lidar com sua raiva. Encare a negatividade como se fosse um pesadelo, e reflita sobre como, em alguns sentidos, isso é literalmente verdadeiro. Logo você descobrirá que deixar a raiva ir não é algo tão difícil quanto pensava.


Terceira Lição: Despertar a Consciência
Tornar-se totalmente desperto é uma poderosa metáfora no cultivo espiritual. A palavra “Buda” significa, literalmente, alguém que se tornou completamente desperto. Comparado a esse estado, nosso ordinário estado de consciência se assemelha ao sono, e tudo que consideramos real na vida parece não ter mais realidade do que um sonho que se desvanece em nada.
Isso pode ser difícil de entender. Afinal de contas, nesse exato momento você provavelmente se sinta bastante desperto. Por quê então alguém diz que você está dormindo quando você sabe que não está?
A verdade é que a grande maioria das pessoas opera num baixo nível de consciência na maior parte do tempo. Considere a última vez que você trancou a porta, foi embora e depois teve de voltar para verificar se a tinha realmente trancado. Ou pense em quando você entrou num quarto e não conseguiu se lembrar do motivo de ter entrado ali. Você estava procurando por algo? Se sim, o que era? A única chance de se lembrar foi refazer seus passos para se reconectar a seu intento original.
Se você já passou por alguma das experiências citadas acima, então você já compreende o que Chuang Tzu quer dizer. Ao passarmos pelos movimentos diários da existência, nós parecemos estar sonambulando a maior parte do tempo. De vez em quando temos um momento de claridade, como uma pessoa que dorme, e acorda apenas o suficiente para verificar o despertador, voltando logo depois ao seu sono.
Como podemos estar plenamente despertos? Isso é algo que requer um esforço persistente. Os cultivadores do Tao que focam esse aspecto da vida, praticam consistentemente o “estar presente”. Através de diligente repetição, eles desenvolvem o hábito de sempre se perguntarem “O que estou fazendo agora?” e “O que está acontecendo ao meu redor agora mesmo?”. Pessoas que assim procedem, invariavelmente, fazem descobertas surpreendentes. Eles pegam a si mesmos fazendo coisas sem o menor sentido, ou de repente ficam cônscios de algo significativo e óbvio que, de alguma forma, não haviam se dado conta antes. E quanto mais praticam estar “no momento”, mais naturalmente e com mais freqüência isso ocorre.

Quarta lição: Transformação

A última lição de Chuang Tzu é também a mais importante. A borboleta é crucial na estória, pois representa a liberdade – um libertador estado de espiritualidade onde transcende-se o medo, assim como uma borboleta voando livre das limitações impostas pela gravidade. Um cultivador do Tao que atinge essa liberdade se torna um indivíduo ilimitado, não atado por apegos emocionais e materiais que restringe a maioria das pessoas.
A transformação a que Chuang Tzu se refere nessa história, em conjunção com a borboleta, formam uma imagem poderosa que representa o processo completo do cultivo do Tao. Nós começamos fazendo lento progresso, aprendendo uma lição após outra, assim como a lagarta rastejando lentamente, comendo e fazendo seu caminho através das folhas.
Após suficiente acúmulo de conhecimento durante um longo período, a mente começa a processar a informação, extraindo sabedoria da alma. Essa é uma época de meditação, reflexão e quietude, bastante parecida ao completo crescimento da lagarta evoluindo ao estágio da crisálida.
Assim começa a metamorfose mágica. Pequeninas asas, quase imperceptíveis, se expandem rapidamente tornando-se cada vez maiores. Uma transformação espetacular acontece, e uma bela criatura emerge da crisálida. A criança tornou-se adulta.
Do mesmo modo, alguém que passa pela metamorfose do Tao se transforma em uma nova pessoa. O cultivador do Tao se transformou num sábio. As asas da espiritualidade se expandiram e ficaram muito maiores, mais coloridas e belas.
Agora podemos ver ainda mais claramente que Chuang Tzu escolheu a borboleta com cautelosa deliberação. Está também bastante óbvio o motivo de a borboleta representar Chuang Tzu na cultura chinesa. Cada peça do quebra-cabeça se encaixa tão perfeitamente que não poderia ser colocada de outra forma.
Chuang Tzu quer nos dizer com essa história que todos temos o potencial de nos transformar em borboleta?
Sim, mas não sem primeiro passar pelo estágio da larva e da pupa. Saltar diretamente para o estágio da borboleta pode apenas ser um sonho que logo acaba. Se você encontrar pessoas que afirmam serem iluminadas, tenha cuidado, pois muito provavelmente são apenas lagartas, não muito diferentes de você ou eu. Elas até podem estar convencidas de que são borboletas, mas isso ocorre porque estão sonhando.
O que Chuang Tzu nos deu foi um vislumbre do que podemos alcançar através do cultivo do Tao. Se tivermos paciência, diligência e fé enquanto procuramos e consumimos folhas nutritivas, virá o dia em que entraremos no estágio da crisálida e finalmente emergiremos dali. Daí então, descobriremos que a alegre liberdade da borboleta não é mais apenas um sonho!

Por Derek Lin
Tradução do inglês por Anderson Taira
 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Louise Hay - A vida é livre e fácil



A VIDA É LIVRE E FÁCIL


Até onde estamos dispostos a ir quando expandirmos os horizontes de nossa mente?
A vida, de fato, é fluida e fácil. Difícil e limitado é nosso modo de pensar, que se baseia em sentimentos de vergonha e inadequação. Para crescer e mudar, precisamnos primeiro nos livrar dos velhos padrões limitadores para abrir lugar ao novo. Ou será que já sabemos tudo? Quem pensa dessa maneira não se permite evoluir. Será que você aceita de fato que existe u Poder e uma Inteligência maior do que a sua? Se pensa que não existe nada além de você, com certeza está sempre assustado(a).
Quando tomamos consciência de que existe um Poder e uma Inteligência muito maiores e mais brilhantes do que o poder e inteligência de qualquer ser humano e que eles trabalham para nosso bem, podemos facilmente ampliar nossos horizontes e entrar num espaço mental onde a vida opera sem obstáculos.


de Meditações para Curar sua Vida, de Louise Hay.


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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Jiddu Krishnamurti - Livre da rede do tempo






Livre da rede do tempo


Sem meditação, não existe autoconhecimento; sem autoconhecimento, não existe meditação. Então você tem que começar a saber o que você é. Você não pode ir longe sem começar perto, sem compreender o processo diário do pensamento, sentir, e ação. Em outras palavras, o pensamento tem que compreender seu próprio trabalho, e quando você vê a si mesmo funcionando, observará que o pensamento vai do conhecido para o conhecido. Você não pode pensar no desconhecido. Aquilo que você conhece não é real porque o que você conhece existe só no tempo. Para se libertar da rede do tempo é preciso interesse, não pensar a respeito do desconhecido, pois, você não pode pensar no desconhecido. As respostas para suas preces são do conhecido. Para receber o desconhecido, a própria mente deve se tornar o desconhecido. A mente é o resultado do processo de pensamento, o resultado do tempo, e este processo de pensamento deve chegar ao fim. A mente não pode pensar naquilo que é eterno, infinito; portanto, a mente deve estar livre do tempo, o processo de tempo da mente deve ser dissolvido. Só quando a mente está completamente livre do ontem, e não está usando o presente como meio para o futuro, ela é capaz de receber o eterno. Portanto, nosso interesse em meditação é conhecer a si mesmo, não só superficialmente, mas todo o conteúdo da consciência interior, oculta. Sem conhecer tudo isso e estar livre desse condicionamento você não pode ir além dos limites da mente. Por isso o processo da mente deve cessar, e para essa cessação deve haver o conhecimento de si mesmo. Portanto, meditação é o início da sabedoria, que é compreensão de sua própria mente e coração.

- Krishnamurti, J. Krishnamurti, The Book of Life


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Joseph Murphy - Como a autossugestão afasta o medo

 
COMO A AUTOSSUGESTÃO AFASTA O MEDO

      Exemplos de autossugestão: Autossugestão significa sugerir algo definido e específico a si próprio. Herbert Parkyin, em seu excelente livro sobre autossugestão, registra o seguinte caso, que tem aspectos divertidos e, portanto, deve ser recordado: "Um nova-iorquino em visita a Chicago olha o seu relógio, que está uma hora adiantado em relação ao horário de Chicago, e diz a um amigo de Chicago que são 12 horas. O amigo de Chicago, sem pensar na diferença de horário entre Chicago e Nova York, diz que está com fome e precisa ir almoçar." 
     A autossugestão pode ser utilizada para expulsar vários temores e outros condicionamentos negativos. Uma jovem cantora foi convidada a dar uma audição. Ela esperava há muito por tal ocasião, mas nas três oportunidades anteriores que tivera falhara miseravelmente, devido ao seu medo de fracassar. Essa jovem possuía uma boa voz, mas vivia dizendo a si mesma: "Quando chegar a minha oportunidade de cantar, talvez não gostem de mim. Tentarei, mas estou cheia de medo e angústia".
     O seu subconsciente aceitava essas autossugestões negativas como um pedido e tratava de torná-las manifestas e presentes em sua experiência. A causa do seu fracasso era, portanto, uma autossugestão involuntária, isto é, pensamentos de medo silenciosos, emocionalizados e subjetivados.
      Ela superou tudo isso com a seguinte técnica : três vezes por dia trancava-se sozinha num quarto. Sentava-se confortavelmente em uma poltrona, relaxava o corpo e fechava os olhos. Serenava a mente e o corpo da melhor maneira que podia. A inércia física favorece a passividade mental e torna a mente mais receptiva à sugestão. Ela procurava neutralizar a sugestão do medo dizendo para si própria : "Canto muito bem. Sou uma mulher equilibrada, estou calma, serena e confiante." Ela repetia essa afirmação devagar, calmamente e impregnando-a com todo seu sentimento por umas cinco ou dez vezes, em cada ocasião. Efetuava três "sessões" diariamente e mais uma, pouco antes de dormir. No fim de uma semana estava inteiramente tranquila e confiante. Quando chegou o convite para a audição, cantou de maneira admirável.

do livro O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy

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Autossugestão é a sugestão (influência de uma ideia persistente) que alguém exerce sobre si mesmo, provocando alterações de comportamento. É um conceito amplamente utilizado nas técnicas de pensamento positivo, de programação neurolinguística e de relaxamento, entre outras.


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Joseph Murphy - Reações diferentes à mesma sugestão




REAÇÕES DIFERENTES À MESMA SUGESTÃO


     É certo que pessoas diferentes reagirão de maneiras diferentes à mesma sugestão, por causa dos seus condicionamentos ou crenças subconscientes. Por exemplo: se você se dirige a um marinheiro no navio e lhe diz em tom de simpatia: "Meu caro amigo, você parece muito doente. Não está passando mal? Tenho a impressão de que você vai enjoar".     De acordo com seu temperamento, o marinheiro vai rir de sua "piada" ou vai ficar levemente irritado. Neste exemplo, sua sugestão é para ouvidos surdos, pois ela se associa na mente do marinheiro com a sua própria imunidade ao enjôo. Portanto, não há medo nem preocupação e sim confiança em si próprio.     O dicionário informa que sugestão é o ato ou estado de colocar alguma coisa na mente de alguém, o processo mental pelo qual o pensamento ou idéia que se sugeriu é recebido, aceito e posto em ação. Você deve sempre lembrar-se de que uma sugestão não pode impor à mente subconsciente algo que esteja contra a vontade da mente consciente.     Em outras palavras: sua mente consciente possui o poder de rejeitar a sugestão dada. No caso do marinheiro, por exemplo, ele não tinha medo de enjôo. Convencera-se a si próprio de sua imunidade e a sugestão negativa não tivera o poder de transmitir-lhe medo.     A sugestão ao outro passageiro, no entanto, trouxe à tona o seu medo latente do enjôo. Cada um de nós possui os seus próprios medos interiores, crenças e opiniões e essas premissas interiores regem e governam as nossas vidas.     Uma sugestão não possui nenhum poder intrínseco e de nada é capaz enquanto você não a aceita mentalmente. Isso faz com que seus poderes subconscientes fluam num caminho limitado e restrito, de acordo com a natureza da sugestão.

do livro O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy


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